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Quais riscos o Brasil corre diante das sanções dos EUA na Venezuela?

Informações compartilhadas Sputnik Brasil

Roraima pode ficar no escuro durante setembro caso dívida milionária do Brasil com a Venezuela não seja paga. A Sputnik Brasil conversou com Ricardo Gennari, professor, economista e especialista em segurança, inteligência e contra-inteligência empresarial, que explicou o problema e também o que pode ser feito nessa situação.

A empresa brasileira de energia Eletronorte recebeu ofício do governo venezuelano informando sobre o fim do prazo do pagamento de dívidas com a estatal Corpoelec. O aviso foi emitido em 4 de junho, estipulando um prazo de 90 dias para o pagamento.

A estatal venezuelana fornece mais de dois terços da energia necessária para a região de Roraima e ameaça cortar o fornecimento caso a dívida de US$ 30 milhões não seja paga. O estado é único que não está ligado ao sistema nacional de energia brasileiro.

Porém, apesar de ter o dinheiro para pagar a dívida, o Brasil teria que passar por cima das sanções econômicas impostas pelos EUA à Venezuela. Isso porque os bancos responsáveis pelas operações financeiras necessárias para o pagamento estariam diretamente sob efeito das sanções norte-americanas.

"É um problema estratégico do país", aponta Ricardo Gennari, em entrevista à Sputnik Brasil. Ele explica que o estado de Roraima mantém a dependência da energia elétrica produzida em Roraima, pois seria "muito mais próximo e muito mais barato [comprar] a energia que vem da Venezuela".

 

Gennari, especialista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), também explica que o problema do Brasil nesta questão não é exatamente não pagar a Venezuela, mas sim que por causa das sanções, a Eletronorte não consegue enviar o dinheiro para o país.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a solução para evitar a escuridão em Roraima  seria ativar usinas termelétricas da região. Esse tipo de energia, no entanto, é mais cara e mais poluente, e poderia levar a um acréscimo anual de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos. Na visão de Gennari, um exemplo das razões que levam o Brasil a importar energia.

"O Brasil está cumprindo o seu dever. Está pagando, agora os Estados Unidos vão e congelam as contas, o que é um problema jurídico e político, estão tentando minar a Venezuela", explica o especialista.

Conforme divulgado pelo jornal Valor Econômico, o Banco do Brasil e a Caixa tentaram fazer a transferência, no entanto, o banco utilizado pela Corpolec não concluiu a operação, que passa pelos EUA, com medo de sofrer punições do Banco Central norte-americano, o Federal Reserve. O último pagamento aconteceu em novembro de 2017.

Longe do ideal, uma possibilidade para resolver o imbróglio financeiro seria a dedução do valor de uma dívida de R$ 274 milhões em garantias do Tesouro Nacional a empresas brasileiras que exportam para a Venezuela.

 

A energia fornecida pela Venezuela é produzida na hidrelétrica de Guri, e chega a Boa Vista e outras nove cidades através de uma linha de transmissão que existe desde 2001, fruto de um acordo entre os ex-presidentes dos países, Hugo Chávez e Fernando Henrique Cardoso.

O especialista Ricardo Gennari dá ainda mais uma solução para a situação, que ele acredita estar no campo político.

"O que a Venezuela pode fazer é pedir à ONU, a área de direitos humanos da ONU, para […] negociar a situação. É um órgão administrativo dentro da ONU, não é órgão jurídico. Então, dentro da ONU, ao meu ver, eles poderiam pedir uma intermediação do órgão de direitos humanos, justamente nesse sentido, para tentar negociar os Estados Unidos com a Venezuela", conclui.

FONTE: Sputnik Brasil
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